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Com 63% do corpo queimado após se pendurar no ar-condicionado do 12º andar do prédio onde morava, no Paraná, para salvar sua família de um incêndio, a advogada Juliane Suellem Vieira dos Reis, de 28 anos, recebeu alta e saiu do hospital na última semana.
Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, no último domingo, 8, Juliane detalhou o processo de recuperação e relembrou o dia do acidente. Desde a alta, a rotina da advogada é marcada por cuidados constantes e limitações físicas.
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“Minha pele coça, eu sinto muito calor e preciso tomar mais de um banho por dia”, contou. Ela ainda depende de ajuda para tarefas básicas, mas afirma que as sessões diárias de fisioterapia têm permitido avanços graduais. “Estou retomando meus movimentos, aos poucos, mas conseguindo”.
“A princípio eu fui a primeira sobrevivente com mais de 60% do corpo queimado e saí bem da UTI, saí andando. Agora a gente passa por essa fase de reabilitação e esperar o corpo se regenerar”, disse.
A expectativa médica é que Juliane não retome suas atividades profissionais antes de um ano. Apesar disso, ela afirma que pretende continuar estudando durante o período de reabilitação.
O incêndio ocorreu em outubro do ano passado. Juliane retornou ao apartamento em chamas para tentar resgatar a mãe, de 51 anos, e seu primo, de 4 anos, do local em chamas. Segundo ela, os gritos da criança foram o primeiro sinal de alerta. As chamas começaram na cozinha e se espalharam rapidamente pelo imóvel.
Ao tentar sair pela porta principal, a advogada encontrou a saída trancada. Sem alternativas, subiu na estrutura do ar-condicionado e colocou o primo na janela do apartamento do andar inferior.
“Falei para ele ficar quietinho e segurar na redinha”, relatou. A criança foi acolhida pela moradora do apartamento abaixo. A advogada também conseguiu direcionar a mãe, Sueli, pelo menos local.

Juliane tentou descer pela estrutura externa, mas não encontrou apoio suficiente e foi puxada de volta por um bombeiro. Foi na tentativa de deixar o apartamento que ambos sofreram queimaduras.
A advogada recebeu atendimento inicial em Cascavel já em estado gravíssimo e foi transferida de helicóptero para o Hospital Universitário de Londrina, onde permaneceu três meses na UTI. Juliane passou por cerca de 20 procedimentos cirúrgicos e permaneceu mais de um mês em coma induzido.
O laudo da Polícia Científica do Paraná concluiu que as chamas não foram provocadas de maneira intencional por ação humana. Segundo o documento, o fogo teve início na cozinha do apartamento – mas o laudo não indica o que provocou as chamas. Uma estimativa do Corpo de Bombeiros indica que a temperatura dentro do apartamento chegou a 800ºC durante o incêndio.