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“A ideia era passar o Ano-Novo em casa, mas ele foi convencido a subir.” O relato é de Renata Farias, a irmã de Roberto Farias Thomaz, jovem que está desaparecido após alcançar o Pico do Paraná durante a virada do ano. Segundo ela, a família vive dias de angústia enquanto acompanha e participa das buscas que percorrem a trilha desde as primeiras horas da manhã deste sábado (3).
De acordo com a irmã, o último contato com o jovem ocorreu no dia 30 de dezembro, véspera de Ano-Novo, por volta das 19h. Ela estava em deslocamento para São Paulo, onde participaria da Corrida de São Silvestre, quando recebeu uma ligação rápida do irmão. “Foi uma ligação de cerca de quatro minutos, porque eu estava na estrada, sem sinal. Ele me disse que estava indo para o Pico do Paraná com uma amiga e que pretendia passar a virada lá em cima”, contou.
Segundo ela, o plano inicial do jovem era diferente e já estava definido com a família. “Até então, a ideia era ele passar o Réveillon com os nossos primos, em casa, fazendo churrasco. Mas essa amiga falou que seria uma experiência marcante, que era para finalizar o velho e iniciar o novo. Foi assim que ela convenceu ele”, relatou.
A irmã afirma que tentou alertá-lo sobre a dificuldade da trilha, considerada uma das mais exigentes do país. “Eu avisei que o Pico do Paraná é o mais difícil que tem. Meu marido, que tem bastante experiência e havia subido recentemente, reforçou isso. Mesmo assim, ele decidiu ir”, disse.
Segundo a família, o jovem não tinha experiência em montanhismo. “Ele não fazia trilha, não fazia montanha. Ele não tinha preparo para isso”, afirmou a irmã.
Após o desaparecimento, moça que acompanhava o jovem retornou trazendo os pertences dele, incluindo mochila, documentos e o celular. Conforme o relato da família, o aparelho foi danificado pela chuva, frio intenso e ventos fortes registrados durante a noite da virada. “O celular molhou e não funcionava. Só conseguimos tentar ligar depois, usando secador. Hoje conseguimos acessar”, explicou.
Com a ajuda de familiares que sabiam a senha do aparelho, a família teve acesso às conversas armazenadas. “Nas mensagens, dá para perceber que ele foi incentivado o tempo todo a ir para o pico. Isso deixou a família muito abalada”, afirmou.
A irmã também relatou informações repassadas por pessoas que estavam na trilha no mesmo período. Segundo ela, um casal e um trilheiro desceram após o jovem já ter passado por determinado ponto e não o encontraram no caminho. “Eles deveriam ter visto meu irmão na trilha, mas não viram. Quando chegaram ao acampamento 1, ela estava dormindo”, disse.
Ao ser questionada sobre o paradeiro do jovem, a acompanhante teria dado respostas vagas. “Ela disse que ele tinha ficado para trás, mas isso não fazia sentido. O trilheiro ficou muito bravo, porque durante toda a subida ele alertou para não deixar meu irmão sozinho”, relatou.
Ainda segundo a irmã, a moça seguia à frente sem esperar. “Ela ia muito à frente, sem aguardar. Depois, o trilheiro fez ela voltar todo o caminho até o ponto onde teria deixado meu irmão”, contou.
A família também questiona o conteúdo publicado por ela nas redes sociais após o desaparecimento. Em uma postagem no Instagram, ela afirmou que registrou toda a experiência da trilha e que a história completa seria divulgada posteriormente. Na legenda, escreveu que tinha muitos vídeos do início, meio e fim da experiência, que mostrariam as vivências na trilha, destacando vistas bonitas e o nascer do sol no maior pico do Sul do país.
Nos vídeos publicados é possível ver registros desde o embarque no ônibus e o início da trilha. No entanto, conforme o relato da irmã, o jovem aparece apenas nos primeiros momentos, deixando de surgir nas imagens do trecho intermediário em diante.
As buscas continuam ao longo da trilha e em áreas próximas do Pico do Paraná, enquanto a família aguarda por informações que possam ajudar a localizar o jovem.