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62,5% das rodovias do Paraná apresentam problemas, aponta relatório da CNT

Conforme o levantamento, a geometria da via (traçado) apresenta o maior índice de problema, com 61,3%
Conforme o levantamento, a geometria da via (traçado) apresenta o maior índice de problema, com 61,3%

Luiz Henrique de Oliveira

10/11/22
às
9:59

- Atualizado há 3 anos

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Dados divulgados nesta quarta-feira (9), em uma pesquisa feita Confederação Nacional do Transporte (CNT), apontam que 62,5% do total de 6.374 quilômetros de estradas no Paraná apresentam problemas. As falhas estão relacionadas à pavimentação, sinalização, geometria de via e ou a existência de pontos críticos.

Rodovia BR-277 Foto: Geraldo Bubniak/AEN

A pesquisa divulgada pela CNT tem a intenção de mostrar as deficiências da malha rodoviária do país, buscando auxiliar na aplicação de investimentos e políticas públicas relacionadas ao transporte. Estimativa do órgão é que, para a recuperação das estradas do Paraná, seria necessário um investimento total de R$ 2,32 bilhões.

Conforme o levantamento, a geometria da via (traçado) apresenta o maior índice de problema, com 61,3%. Falta de acostamento foi verificada em 46,4% dos trechos avaliados. Com relação à pavimentação, 57,1% da extensão da malha rodoviária avaliada do Paraná apresenta problemas, com 42,9% em condição satisfatória. Na sinalização, 45,3% da extensão é considerada regular, ruim ou péssima.

A realidade de uma piora nas estradas tem sido observada pelos caminhoneiros que cortam o estado do Paraná na boleia. O morador Luiz Fernando de Oliveira, de 41 anos, morador em Campo Largo, relatou ao Portal Nosso Dia uma piora no asfalto da BR-376, entre São Luiz do Purunã e o interior do Paraná.

“As condições sentido Apucarana, Maringá e Paranavaí estão precárias e com muito buraco nas rodovias. Em Ponta Grossa, Embaú e até no trecho de Sarandi também. Elas estão também com uma sinalização não muito boa. Está realmente deixando muito a desejar, acho que isso após a retirada do pedágio”, pontuou.

Pedágio

De fato o estudo data do período em que as rodovias do Paraná terminaram o contrato com as concessionárias de pedágio. O Governo Federal pretende finalizar o processo de nova concessão de dois lotes ainda neste ano, mas a Frente Parlamentar do Pedágio da Assembleia Legislativa do Paraná tenta suspendê-lo. A alegação é que, com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve-se discutir uma nova forma de pedágio, com uma tarifa menor que a proposta no modelo atual.

Os parlamentares estimam que na concessão proposta pelo governo de Jair Bolsonaro, o valor possa ficar 30% mais caro do que era praticado antes do fim dos contratos passados. A previsão é de cobrança de pedágio em mais de três mil quilômetros de rodovias, divididas em seis lotes, com dois processos acontecendo ainda neste ano. Seriam 15 novas praças e obras. Lula defende pedágio com tarifa de manutenção e discussão pontual de novas obras, que assim possam ser colocadas no acréscimo das tarifas.

Brasil

Com investimentos públicos no menor patamar em mais de dez anos, a qualidade das rodovias brasileiras piorou em 2022. Lançada nesta quarta-feira, 9, a mais nova pesquisa CNT de Rodovias aponta que apenas 34% das estradas analisadas estão em ótima ou boa condição. Esse número era de 38,2% no ano passado, e 41% em 2019.

A degradação acompanha a queda, ano a ano, de desembolsos para o setor. Enquanto em 2010 e 2011 o investimento público federal em rodovias representou 0,26% do PIB, a proporção caiu para 0,07% em 2021. Para esse ano, o orçamento estabeleceu apenas R$ 5,79 bilhões para o segmento, patamar que já alcançou R$ 33,37 bilhões em 2012.

Enquanto isso, nas estradas sob gestão federal ou estadual – a maioria – a classificação ‘ótima’ ou ‘bom’ caiu de 28,2% para 24,7% em 2022, a segunda queda consecutiva. Enquanto isso, 22,5% foram identificadas como ruim, 8% como péssimo, e 44,8% como regular.

Respostas

O Portal Nosso Dia entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela manutenção das rodovias federais, e o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER).

O DNIT enviou o seguinte retorno:

O DNIT monitora mensalmente a malha rodoviária sob sua jurisdição e trabalha para garantir o melhor nível de serviço, a partir do orçamento disponível. E mesmo diante de um quadro de severa restrição orçamentária, o Departamento tem atuado para dar continuidade às ações previstas no Plano Nacional de Logística.

A partir de um planejamento integrado e da valorização da gestão técnica foi possível assegurar a manutenção da malha rodoviária e entregar obras aguardadas há décadas.

Prova disso é que no último ano, 99,97% do orçamento foi efetivamente empenhado, o que demonstra de forma cabal o compromisso com a boa gestão e com o bom uso dos recursos públicos.

Atingimos o patamar de 96% da malha rodoviária federal coberta por contratos de manutenção e concluímos 4 mil quilômetros de revitalização, pavimentação e duplicação de rodovias no país.

O DNIT possui sua metodologia de avaliação das condições da manutenção do pavimento e da conservação das rodovias federais em todo o país. O Índice de Condição da Manutenção (ICM) tem o objetivo de manter uma radiografia atualizada das condições da malha federal sob jurisdição do DNIT. O monitoramento do ICM busca ainda utilizar as informações apuradas na tomada de decisões sobre investimentos.

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